quinta-feira, 22 de novembro de 2007

errou na dose.


"... as minhas costas que doem, deixam de doer e eu ficando, eu e o relógio frente a frente (dez para as duas) ficando, acabaram-se os passos (um sapato mais pesado que o outro) nenhuma tábua estala, nenhuma parede vibra, o pajem deixou de estremecer, não me mentes nem me escondes nada porque te foste embora, leve como os fantasmas e sem ruído algum, resta o meu passado a trouxe-mouxe, a professora de Inglês com óculos escuros, os verões na praia, as ondas à noite que não terminam nunca, resto eu e as ondas que não terminam nunca, lá está uma a formar-se ao longe, a crescer, a avançar, azul e verde com um debrum branco de espuma que vai alcançar-me, tocar-me, subir pelos meus pés, os meus joelhos, a minha barriga, o meu peito,o meu pescoço, a minha cara e permanecer para sempre, o que se chama para sempre, e permanecer para sempre a cobrir-me, imóvel sobre mim, desenhando vagamente o meu corpo como um lençol final."

António Lobo Antunes


"Feliz Natal", dizia o autocarro da terra de paixão.


As vitrines do Chico, o grande Chico.